Portugal e a Crise

O artigo de hoje vai ser algo diferente do normal; não vamos falar de marcas de roupa nem de t-shirts personalizadas. Não vamos falar de pins, crachás nem de autocolantes; aliás, não vamos praticamente falar da Maudlin Merchandise nem dos nossos serviços! Vamos sim falar do estado das Empresas Portuguesas e os nossos "5 cents" do porquê da economia estar como está no nosso país. Não queremos tornar isto um texto minimamente político e não vamos falar se aceitamos ou não as novas imposições na economia portuguesa. Isso é algo que apenas podemos mudar com muito trabalho, que é o que nós fazemos aqui de segunda a domingo!

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Quando começámos a Maudlin Merchandise começámos literalmente do zero. Não tínhamos capital, não tínhamos fornecedores, não tínhamos clientes, não tínhamos sequer uma residência fixa, enfim, não tínhamos absolutamente nada além de um grande sonho de fazer uma empresa de estampagem de t-shirts e material promocional.

Metemos mãos à obra e durante meses a única coisa que fizemos foi procurar fornecedores para tentar tirar este projecto do chão; telefonámos a todas as empresas que encontrámos, enviámos e-mails a pedir orçamentos e catálogos, pedimos apoios, etc..; isto sempre a dizer que estávamos a começar e que iríamos ter poucas encomendas nos primeiros tempos mas que esperávamos vir a crescer num futuro próximo. Posso dizer antes de mais - e como um aparte - que a presença das empresas portuguesas na Internet é no mínimo triste; sites mal feitos, muitos apenas de uma única página e cheios de erros ou com pouca ou nenhuma informação além de um contacto telefónico e de e-mail. Isto em pleno século XXI em que as novas gerações fazem e compram tudo online. Tratam toda a gente como se fosse especialista na área e não fornecem qualquer explicação dos seus serviços. Depois há o grande problema da mentalidade portuguesa na generalidade das pessoas; trabalhar? Só se for para ganhar muito em pouco tempo e com pouco ou nenhum esforço!

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No momento em que lêem um e-mail que diz "encomendas pequenas" ou "empresa a iniciar actividade" clicam em delete; são trabalhos que pouco ou nada lhes interessam porque a margem de lucro é geralmente pequena e nem sempre compensa o trabalho que dá; é verdade, sim! Mas é um erro na nossa opinião; falta uma visão a médio e longo prazo a Portugal. Uma empresa nasce, começa com trabalhos pequenos e depois, se tudo correr bem, cresce e os trabalhos também aumentam em quantidade e frequência. É verdade que muitas empresas nascem já condenadas ao fracasso, mas não custa nada dar o benefício da dúvida e fazer os possíveis para ajudar a pessoa que dentro de alguns anos poderá ser o seu maior cliente!

Após uma pesquisa pela nossa caixa de saída, contámos e percebemos que enviámos mais de 100 e-mails a empresas portuguesas durante os primeiros meses de 2006; uma simples pesquisa à caixa de entrada diz-nos que não recebemos mais de 20 respostas. Estamos aqui a falar de 1/5 de respostas em função dos pedidos. Também pedimos alguns orçamentos (não se compara a quantidade, 20 no máximo) a outras empresas europeias para fazer análise de preços; o mesmo texto foi utilizado, apenas traduzido. Quantas respostas recebemos? 90% do total de e-mails enviados. Logo aqui já percebemos a diferença entre a mentalidade Portuguesa e a mentalidade no resto da Europa. Enquanto em Portugal há muito a ideia do facilitismo e as coisas vão cair do céu, um pouco pelo resto da Europa as pessoas sabem que só se ganha alguma coisa com trabalho duro; com horas extra, com sacrifícios e ... sim ... encomendas pequenas!

Sei que nem toda a gente é igual e que há fornecedores que aceitam encomendas pequenas em Portugal, o que é de louvar, já que se não fossem eles hoje a Maudlin Merchandise não estaria aqui. Posso dizer que é com uma dessas empresas que nós trabalhamos desde que iniciámos actividade, há mais de 4 anos portanto; desde o início da nossa relação profissional que nos fizeram sentir importantes na família deles, acreditaram e confiaram em nós quando não tínhamos qualquer garantia - nem financeira nem de sucesso -; arriscaram um pouco e estiveram sempre ao nosso lado nestes 4 anos e meio desde que iniciámos actividade. Infelizmente o mesmo não se passa com muitos outros outros (esmagadora maioria). A tentação do dinheiro rápido e fácil em vez do dinheiro lento e com trabalho é muito grande e isso atrapalha bastante a nossa economia.

Alguns dos fornecedores que nos deram "negas" ou que nos ignoraram quando precisámos de ajuda para iniciar actividade vieram espontaneamente até nós alguns anos mais tarde oferecer os serviços. Claro, a Maudlin agora factura e compra dezenas de vezes mais o que comprava na altura; assim já interessa fazer negócio!

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Este artigo denota um pouco de indignação pelo estado no tecido empresarial em Portugal, é verdade; temos razão? Quem sabe? Esta é a nossa leitura do mercado actual em Portugal.

O leitor pode estar neste momento a pensar; pois é, mas falam do que sucedeu há mais de 4 anos atrás, entretanto a crise económica instalou-se e as pessoas estão a trabalhar mais para ganhar qualquer cêntimo a mais que possam. Correcto? Infelizmente não.

Tivemos uma reunião há algumas semanas atrás para decidir primeiro, que caminho tomar para continuar a expandir os nossos serviços; segundo, para decidir a que fornecedores adquirir algum material que estamos a precisar - consumíveis portanto!

Fizemos algumas pesquisas em Portugal e um pouco por toda a Europa, escrevemos e-mails e enviámos para várias empresas a pedir orçamentos para o material que precisávamos. É certo que mais uma vez se coloca a questão de serem encomendas de apenas algumas (poucas) centenas de euros, nada de especial, portanto. Com esses envios percebemos não uma mas sim duas coisas diferentes:

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1. As coisas continuam como em 2006; muitas empresas não se deram sequer ao trabalho de nos responder por e-mail nem de nos contactar telefonicamente. Pessoalmente, sou da opinião que o cliente não deve andar a mendigar atrás de uma empresa para que lhe vendam material; envio um e-mail com aviso de recepção.. sei que o e-mail foi entregue e aguardo; se passado 2 ou 3 dias (bolas, até 1 semana se espera!) não tiver resposta, parto para outra; é tão simples quanto isto. A verdade é que quase 1 mês depois, continuamos a aguardar resposta por algumas empresas que contactámos.

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2. As empresas portuguesas que nos enviaram orçamentos têm valores duas e três vezes mais altos que muitas empresas estrangeiras exactamente pelo mesmo produto! E não fomos directamente às fábricas onde as peças são produzidas. Posso dizer que comprámos o dobro do material que precisávamos em Inglaterra por pouco mais de metade do preço que nos faziam em Portugal. Isto com portes! O mesmo também é verdade para outro material que importamos regularmente dos Estados Unidos em que se juntarmos o preço do material + portes (45/70kgs!) em serviço expresso (FEDEX ou UPS) + Alfândega + Entrega em mão no escritório, fica-nos a metade do preço que pagaríamos em Portugal pela mesma quantidade.

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Pessoalmente, isto choca-me imenso. Numa altura de sacrifícios, em que Portugal está praticamente na bancarrota seria de esperar que as pessoas fizessem um pequeno esforço; infelizmente muita gente no nosso país prefere não vender e não ganhar 200€ do que vender e ganhar apenas 100€.

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Agora eu pergunto; crise? Crise é uma pessoa querer vender e não ter clientes! Crise é uma pessoa ter de despedir empregados porque não há trabalho suficiente! Em Portugal não há crise, há mas é muitos malandros que passam o dia no Facebook e a ler e reenviar e-mails engraçados aos amigos.

estampagem têxtil

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