O caso do Martim visto por dentro

A Internet é uma coisa fantástica. Num momento és um Zé Ninguém e 5 minutos depois és a pessoa mais famosa de Portugal. Foi assim com o Guedes, foi assim com o Miguel Gonçalves e agora é assim com o Martim Neves. O contrário também é aplicável, com grandes (e pequenas) empresas que nunca deram demasiado nas vistas de repente a estarem na "spotlight" e serem criticadas por todos os lados, seja com ou sem razão. Lembro-me de repente da Ensitel, da Zippy e da EDP mas há muito mais casos de clientes em fúria repentina por algo que provavelmente nem entendem. Infelizmente é muito mais fácil destilar ódio quando algo corre mal do que dar os parabéns quando as coisas são bem feitas.

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O caso do Martim é mais um que é fascinante para quem gosta de seguir este tipo de fenómeno na Internet; e este está muito ligado a nós e ao tipo de trabalho que fazemos, senão vejamos; o Martim é um jovem de 16 anos que criou uma marca de roupa. Acreditou, arriscou! Isto lembra-me imenso os primórdios da Maudlin Merchandise porque foi exactamente assim que começámos; somente por isto já conseguimos relacionar-nos mais do que o "Manel" comum e compreender o que lhe vai pela alma. Além disso temos também o privilégio de ser os fornecedores do merchandise da OVER IT e de ter acompanhado todo o desenvolvimento da marca.

Mais do que criticada, a coragem do rapaz merece ser celebrada.

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O Martim teve a sorte (?) de ser contactado para apresentar o seu projecto e a sua visão num programa em horário nobre e com uma grande audiência em Portugal. Mais do que isso, conseguiu deixar a sua marca com apenas 5 minutos de exposição e isto é algo que muito pouca gente tem a sorte de conseguir. Foi fortuito? Provavelmente.. mas o que interessa é que conseguiu e agora pode capitalizar.

Tivemos a sorte de acompanhar a história e a marca do Martim (para quem não conhece, a Over It) quase desde o seu início e temos visto o crescimento e o desenvolvimento da mesma nos últimos meses. A única coisa que pode ser dita em relação ao desenvolvimento desta ideia é que muitos adultos com experiência profissional e um plano de negócios feito e revisto até à exaustão apenas poderiam sonhar com o tipo de exposição que este jovem tem.

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Não acredito que ele tenha um plano de negócios; sinceramente, acho que não precisa porque o Martim tem grandes vantagens em relação a uma grande percentagem das pessoas que tentam este tipo de projecto. É um adolescente atento às modas e aos que os amigos querem e que provavelmente não precisa de lucrar de imediato com a ideia. Ele está mais a viver um sonho e a divertir-se imenso com o que faz. No fundo, isso não é o mais importante quando lançamos uma ideia no mercado? Devido à idade e, presumo eu, ao apoio da família, tem liberdade para poder desenvolver a marca sem pensar em lucro e em ser um magnata das t-shirts. Isto dá-lhe algo muito importante... tempo! Tem tempo para crescer, para ganhar experiência. Não é algo que muita gente possa dizer; o desejo pelo lucro imediato e a falta de paciência para ver algo crescer com o tempo acaba com demasiados negócios quase à nascença. A presumível falta de contas para pagar também tem um impacto importante na estratégia dele.

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Outra vantagem do Martim é que ele sabe o que faz. A Over It vai crescendo um pouco ao sabor da sua visão, aproveitando as redes sociais, as miúdas giras e fenómenos que não se vêem muito frequentemente em Portugal. O Martim tem tido paciência e tem sabido encontrar os timings correctos para lançar novos modelos e fazer novas coisas.

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Apenas uma nota em relação à resposta de homem feito que o Martim deu à "Srª Drª" Raquel; este é um jovem que não se preocupa com os ordenados que a cadeia de distribuição dele oferece aos colaboradores; e porque é que teria de ter essa preocupação? Será que aos 16 anos e com investimentos de dezenas/centenas de euros em algumas peças de roupa nos temos de preocupar em fazer auditorias às várias empresas com que trabalhamos? Julgo que não.. o Martim quer apenas oferecer roupa de qualidade a preços acessíveis aos amigos. Ele quer uma moda, não quer (por enquanto) as responsabilidades inerentes ao desenvolvimento de um grande negócio. E é assim que deve ser e é por isso que ele tem sucesso.

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Tal como eu e tu compramos roupa de grandes multinacionais e mal nos lembramos que os colaboradores ganham pouco mais que o ordenado mínimo (até porque aquela t-shirt é meeeesmo linda!), ele também não tem a responsabilidade de garantir que toda a gente numa enorme cadeia de distribuição (e falamos de quem produz o algodão, de quem o transporta até a uma confecção, de quem o confecciona, de quem o vende, de quem o faz chegar até ele, etc) tenha um grande ordenado.

Desafio que quem o critica sobre o local de produção e o ordenado que os colaboradores recebem, olhe para o seu armário e veja as dezenas de peças de roupa que dizem claramente "made in china" e "made in bangladesh". Quantas peças "made in Portugal" encontram? Menos que ele, decerto.

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Apenas uma última nota em relação ao ordenado mínimo: Na Maudlin Merchandise todos os colaboradores ganham acima do ordenado mínimo. Acreditamos em mimar os nossos colaboradores e em fazê-los crescer connosco. Isso apenas se consegue com ordenados justos e com condições de trabalho que potencializem o crescimento deles e da empresa.

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estampagem têxtil

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