COVID, inflação e quebras das cadeias de fornecimento

O Marketing é importante para a tua marca de roupa

Este é um artigo para o blog que só peca por tardio e que pode trazer um pouco de luz em relação ao futuro próximo da nossa indústria, incluindo o porquê da inflação que vemos este ano.

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Com a chegada do COVID em 2020, o mundo quase parou por algumas semanas.

Primeiro parou a China, depois a Europa e o resto do mundo.

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Esperou-se o pior em termos de consumo e muitas grandes empresas cancelaram encomendas aos seus fornecedores na Ásia, com receio da falta de procura dos mercados. Mas as pessoas decidiram que não iam deixar de consumir e o mundo não parou.

Na verdade, houve um boom em ecommerce e assim que os mercados arrancaram (por volta de maio) o consumo também retomou. E isto foi uma surpresa para muitos (incluindo para quem escreve este blog).

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Como na Ásia (China, Bangladesh, etc) existe menor segurança no trabalho que na Europa, muitas empresas optaram por despedir os colaboradores com medo dos resultados da pandemia. Quando o mercado reabriu e o consumo retomou a sua normalidade, estas empresas (que na realidade fornecem o mundo inteiro) não tinham colaboradores para dar seguimento ao boom de encomendas que surgiram e tiveram muita dificuldade em voltar a contratar, por diversas razões.

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Este foi o primeiro passo para a falta de bens que o mundo está a ver.

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Por outro lado, graças ao boom do ecommerce e à enorme necessidade de material médico, muita mercadoria saiu da Ásia em direção à Europa e aos Estados Unidos.

Isto criou um segundo problema, que foi uma enorme falta de contentores marítimos no mercado, já que estavam "todos" ou já no Ocidente ou a caminho do Ocidente. A determinado momento a Ásia simplesmente não tinha mais contentores para enviar para cá.

Como a economia produtiva ainda estava parada no Ocidente devido a confinamentos e quebras de produção, não havia mercadoria a sair em direção à Ásia, o que significa que os contentores chegaram até nós mas não voltaram para o país primário.

Esta quebra na cadeia criou o já famoso problema dos contentores e foi o segundo passo para a quebra de cadeias de distribuição.

Contentores num Navio
Contentores num Navio

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Uma terceira componente deste problema foi a pressão sob determinados mercados e indústrias por meras coincidências. No caso específico do têxtil, a falta de chuvas reduziu consideravelmente a produção de algodão, ao ponto de não haver algodão suficiente no mercado.

Sabemos que é uma regra do mercado que se a procura é maior que a oferta, os valores sobem sempre.

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Assim, temos os primeiros três componentes que fizeram subir os preços de roupa de forma considerável e o início da inflação por todo o mundo.

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Falta de Mão de Obra + Falta de Contentores + Falta de Matéria Prima = Aumento de preços

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Confesso que não compreendo totalmente o que está a acontecer em 2022, 2 anos depois do início da pandemia, mas a realidade é que estes problemas se mantêm e alguns continuam a agravar-se.

Se em 2020 e 2021 tínhamos problemas com a falta de roupa no mercado - devido aos problemas que indicámos acima - em 2022 lidamos com uma falta generalizada de mercadoria, incluindo detergentes, tintas e outro material que necessitamos urgentemente para trabalhar, bem como aumentos consideráveis de preços.

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Não é de estranhar se a determinado momento algumas empresas que fazem estampagem de t-shirts simplesmente parem por falta de matéria prima para trabalhar.

Em 2021 estivemos 4 meses à espera para conseguirmos fazer bordados e salvou-nos o enorme stock que já tínhamos feito. Ainda assim vimos um aumento de 40% no preço deste componente essencial para fazer bordados.

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Ainda em 2021 deparámo-nos com dificuldades em comprar tinta para serigrafia. Na verdade andámos quase 1 mês a inventar misturas para conseguir fazer determinadas cores, já que o amarelo esteve esgotado um pouco por toda a Europa. Isto já depois de termos feito stock que nos durou vários meses.

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Em 2022 vemos os primeiros sinais de falta de tintas para impressão direta, com uma crescente dificuldade em conseguir adquirir este material para trabalhar.

Devido à inflação tem sido difícil manter a empresa a trabalhar

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No campo da roupa, a situação é caótica há vários meses. Marcas como a Sol's ou a Kariban estiveram com roturas de 3 meses na maioria da sua roupa, com sucessivos atrasos na reposição e, embora no início do ano já em menor escala, os problemas de fornecimento de roupa promocional mantêm-se.

Apenas em 2021 vimos aumentos de preços na roupa por quatro vezes distintas. Em janeiro de 2022 já foram anunciados e tabelados novos aumentos em algumas marcas. Infelizmente parece que os valores irão continuar a subir.

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Em 2021 perdemos dezenas de milhares de euros em encomendas (anteriormente confirmadas) canceladas por não conseguirmos fornecer roupa para as concluir.

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Tudo isto causa inflação.

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Juntando nos últimos dois anos os maiores aumentos de ordenado (mínimo) que já tivemos em Portugal, totalmente em contra ciclo com o desenvolvimento da economia, vemos que há menos empresas a trabalhar e as que estão a resistir não têm outra opção que não aumentar os preços para fazer face a este custo extra (uma vez mais, inflação).

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No nosso caso, mantivemos os preços tanto tempo quanto aguentámos. Infelizmente com os brutais aumentos das matérias primas, ordenados, eletricidade e gás, não tivemos outra opção que não aumentar igualmente os nossos preços de forma considerável. Em muitas situações verificámos inclusivamente que se mantivéssemos os nossos preços de 2020 estaríamos a trabalhar com prejuízo.

estampagem têxtil

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