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Como diminuir os custos energéticos numa empresa


Ainda há pouco mais de um mês lançámos de forma pública o nosso programa de sustentabilidade 2015-2017 e podemos atualizar desde já várias alterações efetuadas no espaço de um mês deste ano que têm tido um impacto extremamente positivo na nossa forma de trabalhar e - naturalmente - nos nossos custos energéticos.

 

Mudámos todas as luminárias para LED

Sim, eu sei que não é nenhuma ideia de génio e tinha obviamente de ser o primeiro ponto. Mas tem de aqui estar e vou aprofundar um pouco mais porque não só mudámos várias lâmpadas fluorescentes que tínhamos mas também mudámos outras lâmpadas que eram LED para LEDs com menos consumo.

 

O pensamento "normal" é: ok, se é LED vai consumir menos. COMPRA! Marca como feito.

ERRADO! O que descobrimos é que precisamos ajustar as luminárias (lâmpadas) às necessidades de cada espaço. O que significa que o facto de ser LED não é o único ponto a ter atenção. Precisamos perceber se a luminosidade da lâmpada é excessiva para o espaço em questão. Na empresa temos salas com luminárias LED de 5w e outras salas com luminárias de 150w, dependendo do espaço e do trabalho desenvolvido. Isso faz toda a diferença na luminosidade de um espaço e no consumo energético. É essencial adaptar as lâmpadas certas para os sítios certos.

Alguns espaços vão precisar de tubos T8, como espaços de produção, outros vão precisar de lâmpadas pequenas, como candeeiros de mesa ou grandes como nos escritórios.

 

Exemplo: Num dos nossos espaços de produção tínhamos 6 lâmpadas de 22w com 1800lm cada, num total de 132 watts hora. Trocámo-las por 3 tubos LED de 1,5m com 20,6w cada com 3100lm num total de 61,8 watts hora e ficámos com uma sala com mais luz e ganhámos em poupança energética (cerca de 43€ + IVA por ano). Isto mantendo a tecnologia já existente, apenas dimensionando de forma diferente as luminárias existentes.

 

No geral, desde o início do programa, diminuímos de 2058w o consumo elétrico em luminárias para 659w por hora. Os nossos objetivos estão fixados dentro dos 500w e planeamos atingi-lo em 2019 quando a tecnologia amadurecer um pouco mais. Isto, claro, assumindo que todas as lâmpadas estão ligadas ao mesmo tempo e na sua potência máxima, o que não acontece, já que tomámos outras previdências para que isso não aconteça como sensores de movimentos e sensores fotoelétricos (ajustam a luminosidade dependendo da luz que a sala já tem, poupando um pouco mais ao não ter a lâmpada sempre no máximo). Tecnicamente já estamos quase dentro da poupança de 3/4 que queríamos.

 

 

Acabámos com os equipamentos em standby

Há cerca de dois meses tornámo-nos na polícia do standby a tentar eliminar potência fantasma. Para quem não sabe, mesmo quando desligamos determinados equipamentos, há derrame de energia. Por exemplo nos carregadores de telefone que, ao ficarem ligados toda a noite, estão sempre a requerer energia.

No nosso caso, munimo-nos de um equipamento que já temos há alguns anos para medir a energia utilizada por cada equipamento e colocámo-lo em TODAS as tomadas após o horário de fecho da empresa.

Detectámos menos energia desperdiçada do que esperávamos MAS, ainda assim, detectámos alguma. Segundo as nossas contas, se não fizéssemos nada, iríamos pagar cerca de 122€ + IVA anuais (por quase 500kW (meio megawatt) de energia desperdiçada entre noites e fins de semana em equipamentos que são esquecidos (uma simples balança eletrónica, por exemplo).

A solução foi adquirir equipamentos que permitem regular a utilização das tomadas, podendo programar quando os equipamentos ligam e desligam.

 

Por exemplo: O departamento comercial sai às 18h; não faz sentido termos vários equipamentos em standby ou a carregar (monitores, telefones, discos externos, etc) toda a noite. A tomada a que esses equipamentos está ligada desliga às 18:30 (para prevenir mais alguns minutos de trabalho) e volta a ligar às 8:45, antes da pessoa voltar ao trabalho. Dessa forma não há qualquer inconveniente à pessoa e a empresa poupa "uns bons cobres" no final do ano em consumos energéticos.

É também um boa forma de prevenir que alguém se esqueça de algum equipamento ligado como as máquinas para bordar camisas, embora essas sejam desligadas religiosamente.

 

 

Instalámos painéis fotovoltaicos

Naturalmente que tínhamos de instalar painéis fotovoltaicos para aproveitar a energia solar.

Vivemos num país e numa cidade cheios de sol e tínhamos de o fazer. Enquanto empresa, este é um dos melhores investimentos que se pode fazer, com um ROI bastante reduzido para a vida útil destes equipamentos.

Ao contrário do fotovoltaico para casas, que produz durante o dia quando não está ninguém e há pouca utilização energética, numa empresa a energia é gerada no momento em que está a ser utilizada, ou seja, entre as 8 da manha e as 7 da tarde. É o horário (dependendo da fase do ano) em que temos sol e é o horário em que as empresas trabalham. Ou seja, com um sistema bem dimensionado podemos utilizar 100% da energia que produzimos ou muito perto disso.

 

Não podemos dizer suficientemente bem deste investimento. A relação custo/benefício é sem dúvida a melhor que fizemos até hoje e os preços dos painéis continuam a baixar todos os anos.

 

 

Reduzimos o consumo de água

Apesar de não serem consumos energéticos, é um consumo de algo vital para a nossa existência e tem o seu canto muito importante neste artigo e nos nossos esforços.

Não tendo tantos pontos de água como temos de luz, é muito mais simples de reduzir o consumo de água, usando apenas as boas práticas.

  • Trocámos o sistema de autoclismo simples por autoclismo duplo. As nossas sanitas usavam 10 litros de água por cada descarga. Neste momento temos autoclismos duplos com descargas de 3 e 6 litros, dependendo da descarga que seja feita
  • Trocámos os emulsores por inteligentes com "click". Este foi um investimento algo elevado para uma coisa tão simples. Para quem não sabe o que é um emulsor, é uma tampa que se coloca no lavatório e que reduz o caudal de água. Os que comprámos poupam até 80% da água ao misturá-la com ar. Milagrosamente não se nota diferença quase nenhuma ao utilizar os lavatórios.
  • Reduzimos o caudal de água para os lavatórios. Ok, esta foi a última coisa que fizemos porque nem nos passou pela cabeça. Por norma os lavatórios são utilizados para lavar as mãos e sempre achámos que têm um caudal de água demasiado elevado. Considerámos gastar dinheiro em redutores de caudal e andar a mexer em tubagem e canalização mas descobrimos algo bem mais simples. Basta fechar parcialmente a torneira que alimenta o lavatório para reduzir logo o caudal em 1 segundo e sem gastar dinheiro. Milagroso, grátis e temos total controlo da força da água que queremos.

 

São 3 pontos extremamente simples e que - no nosso caso - com um custo por wc de 30€ que se deve pagar em cerca de 1 ano. Mais do que a poupança financeira é a importante poupança para o ambiente ao deixarmos de utilizar e desperdiçar tanta água. No fabrico de t-shirts já que utiliza demasiada água, não precisamos continuar o ciclo.

 

 

Aqui está. 4 formas que uma empresa pode e DEVE utilizar para diminuir os seus custos energéticos. Naturalmente que estes pontos podem ser utilizados em termos domésticos (levanto desde já a mão como culpado, coloquei LEDs em toda a minha casa), mas numa empresa sente-se de imediato o seu efeito devido ao número de horas que cada equipamento permanece ligado.

 

Embora não seja um post patrocinado, não poderia deixar de "agradecer" ao Leroy Merlin pelas várias dicas que têm no site para poupar um pouco mais de energia e sermos um pouco mais eco friendly. Vários dos equipamentos que instalámos foram adquiridos lá e não poderíamos recomendar mais 😉

 

 

Todas as empresas são diferentes e tudo deve ser adaptado a cada uma. Nós fizemos mais algumas alterações e adaptações ao nosso espaço, como na serigrafia em que trocámos um equipamento de alto consumo por outro que utiliza um tipo de energia diferente, por exemplo.

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