Marcas de Roupa

c'est normal. Mas será que é normal?


No nosso grupo de discussão de marcas de roupa portuguesas no Facebook já por mais de uma vez que algumas vozes se levantaram acerca do "made in Portugal" e do facto de o Jon Olsson (um skier e Youtuber famoso.... e milionário) ter lançado uma marca de roupa totalmente fabricada em Portugal quando nós - o típico português - não o fazemos.

Naturalmente que na Maudlin Merchandise somos 100% a favor da produção nacional e não retiramos 1% do mérito deste skier e Youtuber, mas acreditamos que não podemos colocar toda a gente no mesmo saco e criticar o português por não ter a capacidade de investir 150.000€ numa produção de raiz em fábrica é no mínimo injusto.

 

Um dos nossos nichos é trabalhar com marcas de roupa e podemos assegurar que a encomenda média (ou a máxima) não atinge esses valores, nem sequer anda na vizinhança.

Retiremos um zero do investimento que o Jon fez e teremos um empreendedor (muito) abastado que quer lançar uma marca de roupa em grande em Portugal.

Retiremos outro zero e perdemos o acesso por completo a fábricas e mesmo assim continuamos a falar apenas de um número restrito de pessoas que poderão suportar encomendas de milhares de euros (pela nossa experiência).

 

A verdade é que o Jon faz parte do 1% que pode investir mais de 100 000 euros numa marca de roupa e ir diretamente a uma confecção.

 

Embora já existam várias confecções em Portugal que trabalhem com o "little guy", a diferença de custos para os têxteis promocionais que nós vendemos é muito considerável e deixa parados na água demasiados empreendedores que nos dizem "talvez um dia consiga trabalhar com uma confecção, mas...".

 

Sejamos claros, não há falta de vontade dos portugueses em trabalhar com roupa made in Portugal. O que há falta é capital, confiança para poder investir e capacidade para atingir o seu público alvo de forma simples e rápida.

Todos sabemos que em Portugal trabalhamos a roupa de uma forma fantástica e temos algumas das melhores confecções do mundo. Mas também sabemos que todas estas precisam estar direcionadas a um mercado abastado para sobreviver. Todas as que lutavam em preço encerraram antes ou durante a crise. Não eram sustentáveis.

 

Outra diferença que o Jon tem em relação ao "comum mortal" é um canal de Youtube que o permite alcançar um público alvo que equivale a mais de 10% da população portuguesa. Estamos a falar da oportunidade de se expor de forma gratuita a ~10% da população do país em que vivemos. Foi isso que o permitiu vender TUDO o que investiu em apenas alguns minutos.

 

A maior parte das marcas com que trabalhamos precisa de semanas, senão meses para vender uma minúscula parte do stock que ele concerteza tinha por lhes faltar a exposição que ele - com todo o mérito - conseguiu.

 

 

Estas são apenas duas pequenas - mas importantes - diferenças que fazem toda a diferença:

  1. Capacidade de investimento
  2. Possibilidade de escoamento de stock

 

E a verdade é que são dois dos principais fatores que fazem o sucesso de uma marca.

Outro ponto muito interessante é que nós não sabemos se realmente a marca esgotou tão rapidamente como ele referiu. Escolhemos acreditar no que ele diz, mas quem nos garante que não está a utilizar uma estratégia tão utilizada por marcas como a Supreme (ou a Apple), escolhendo criar urgência nos seus compradores ao dizer que a oferta é baixa e a procura é alta? É outro dos pormenores que os bons empreendedores utilizam para aumentar o hype à volta das suas marcas e assim poderem aumentar os custos dos produtos, por se tornar uma raridade e coleccionavel.

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